Mostrando postagens com marcador RELATO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador RELATO. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

RELATO: APOTEOSE RACIONAL



(Ubirajara Pisão, estudante de Cultura Racional, Rio de Janeiro, RJ)

Saíamos aos domingos de manhã, entre 7h e 7h e  30min de Belford Roxo, RJ para divulgar a Cultura Racional. A divulgação era feita o dia inteiro e só parávamos para almoçar, continuávamos divulgando e de tardinha, íamos para o Retiro Racional assistir um bonito jornal chamado Jornal Racional, jornal este com mensagens do Racional Superior e relatos Racionais. Tudo sempre supervisionado pelo Mestre MJC.
Aquele domingo parecia estar diferente, o sol reluzia em nossos uniformes brancos refletindo sua força, os caravaneiros com sorrisos no rosto, os dentes com luminosidade causando inveja a qualquer jóia material.
Eu olhava todos e achava que tinha alguma coisa diferente. Cada um falando assuntos mais bonitos do que o outro. Eu confesso que fiquei um pouco espantado, mas logo, passou o espanto e estávamos indo em dois ônibus pertencente à Cultura racional de cores: verde, amarelo e se a minha memória não está enganada, também tinha a cor branca.
Íamos felizes para um Bairro aqui no RJ chamado Pilares.
Chegamos no local,  todos começaram a descer dos Ônibus. Desci e fiquei ao lado do Conferencista muito conhecido e amigo do Mestre chamado João Cruz. Fiquei olhando aquela manhã especial, bonita e ao mesmo tempo inesquecível. Fiquei parado ao lado do Conferencista João Cruz esperando todos os caravaneiros descerem do ônibus para darmos inicio a propaganda de porta em porta.
A rua mal se via o asfalto escuro, o uniforme Racional como brilho verde do mapa, o portal amarelo com o tom do seu reinado e o branco da paz, dominaram o lugar com as “Garças Brancas” cantando a canção da harmonia, da ternura transmitindo a mais pura alegria.
Continuei fixo no meu lugar, observando e esperando o ônibus esvaziar e os caravaneiros se espalhando pelo bairro, e as ruas continuando a ser pintadas com o branco dos uniformes Racionais.
Eu queria ir junto também divulgar, só que estava esperando os ônibus se esvaziarem e pensei: “Como cabe gente nestes ônibus, como pode ser isso, não pára de sair caravaneiros e as ruas estão lotadas, deve ter vindo todo mundo espremido como uma lata de sardinha e eu nem notei”. Olhei para conferencista João Cruz e disse:
“O Senhor está vendo como cabe gente neste ônibus?”
Ele me respondeu:
“Você não vê que é impossível caber tanta gente assim ali dentro?!”
Eu: “Claro que cabe, saiu de dentro do ônibus e continua saindo! Como? Eu não sei, mas está saindo ainda mais gente de branco.”
Olhei para o Sr. João Cruz e vi lágrimas nos olhos, perguntei  porque estava chorando, me respondeu que era de emoção de ver que aquela caravana era feita por nossos irmãos do Mundo Racional que estavam ali, juntinho de nós. Eu refleti em suas palavras mais confesso que a “ficha ainda não tinha caído”.
Naquela manhã ensolarada de domingo, o povo saía de dentro das casas com lágrimas nos olhos perguntando o que era aquilo, quem eram aquelas pessoas que transmitiam muita paz. Na minha primeira casa, eu confesso que fiquei até um pouco envergonhado, pos a dona da casa pegou o prospecto que a entreguei e começou a chorar de emoção, dizendo que estava precisando daquilo e que não tinha visto nada igual em sua vida. Eu não sabia se divulgava ou se olhava para os irmãos caravaneiros, optei por olhar para os irmãos e a ouvi-los. Nunca tinha visto nada igual em toda a minha vida, ainda não sabia ao certo o que era, até conversar de novo com o conferencista João Cruz que não parava de se emocionar e dizia:
“Você ainda não se convenceu? Olha quanta gente de branco, é impossível que caiba dentro do ônibus tanta gente, são nossos irmãos do Mundo Racional, é uma apoteose Racional!”
Divulgamos o dia inteiro, voltamos à tarde para o Retiro Racional, com menos caravaneiros materializados, todas as dúvidas foram clareadas e o fato consumado: uma Apoteose Racional!
Salve todos!

RELATO: A PAREDE BALANÇOU



(Ubirajara Pisão, estudante de Cultura Racional, Rio de Janeiro, RJ)

Filial do Mundo Racional na Terra: o Retiro Racional.  Fato ocorrido na construção do Centro Científico de Cultura Racional (Monumento Racional), que está ao lado da piscina do Retiro.
Como muitos já sabem, naquela obra, existia hora de pegar no serviço e não havia hora de terminar e isso, eu confesso, me incomodava um pouco, pois, o corpo físico tem suas limitações.
No inicio das obras do Monumento eu morava fora e trabalhava de segunda a sábado em uma rede de supermercados (sábado até as 12h), tirava plantão no Retiro à noite às sextas-feiras, voltava no sábado à tarde e ficava até domingo nas obras do Monumento. E na segunda-feira já saía de lá pela manhã, direto para o trabalho fora. 
Era de madrugada, o céu estava radiante, as estrelas pareciam se mover com o semblante do Mestre sentado na frente da piscina orientando o serviço. Fazia um pouco de frio e as pás e enxadas nos aqueciam com o movimento do concreto fresco que parecia não ter fim.
As máquinas eram literalmente as humanas, com as ferramentas manuais que não paravam. Ao longe, devido o número de colaboradores, poderia facilmente ser confundida com um formigueiro. 
Eu estava posicionado juntamente com muitos na frente do monumento, já bem adiantado em suas obras. Estava construindo a calçada que dá para a entrada principal do Monumento. 
Existia um mingau de fubá bem temperado com canela, erva doce, cravo, etc. mais um café forte que o Mestre nos servia pessoalmente pela madrugada. Aquela era a nossa hora de recreio e um pouco de descanso. Às vezes voltávamos para as obras e outras vezes éramos liberados.
O mingau, nós o apelidamos carinhosamente de “magau”, devido ao sotaque do encarregado da obra.
Houve uma breve pausa no concreto (coisa rara), encostei a enxada no peito, sentei nos sacos de cimento, olhei para a fisionomia dos irmãos colaboradores, as pás e enxadas se calaram, um breve silêncio naquele local, que se contrastava com o interior do Monumento, que parecia uma orquestra infinitamente bela a onde seus acordes se harmonizavam com toda madrugada. 
Eu estava muito cansado fisicamente, assim como os outros. Eu só pensava em duas coisas: no “magau” e parar um pouco com a Cultura Racional, estava literalmente abatido e o meu corpo físico se movimentava com um esforço quase que sobrenatural, achava que não ia aguentar, pensava em voltar para a Cultura Racional quando ficasse mais velho, assim teria mais amadurecimento para entender tudo aquilo. Os outros ali pareciam que pensavam a mesma coisa de como suportar tamanha missão para a nossa salvação.
O cheiro de erva doce com canela pairava no ar, estava chegando a hora do “néctar dos deuses”. O perfume doce do “magau” aliviava a dor de não se conseguir chegar até o final, a minha e a dos outros.
Nossos corpos ainda muito cansados, as enxadas paradas, olhávamos uns para os outros.  Olhamos juntos para o céu acima do Monumento Racional, quando, literalmente, o céu rasgou (não confunda com vidência), como se alguém o cortasse com uma espada, ficamos espantados sem dizer uma palavra.
Lá de dentro do enorme rasgo um outro mundo, de uma beleza que não se tem nenhum adjetivo ou qualquer palavra que se possa mencionar, pode se dizer que era muito grande, com muitos brilhos mais bonitos do que os das estrelas que conhecemos. E de lá saiu um corpo grande e brilhante prateado que desceu até próximo o telhado do Monumento e depois voltou para o mesmo lugar.
Quando aquele belo corpo de energia voltou, aquele rasgo enorme no céu se fechou, voltou as estrelas normal do céu e fortificou nossos ânimos de continuar firmes com as colaborações e estudos racionais. Olhamos uns para os outros, dezenas de nós, ninguém deu uma palavra, nenhum comentário, nossos semblantes de cansados agora eram de sorrisos, de satisfação e as pás e enxadas agora não mais faziam barulhos, elas cantavam e dançavam juntamente com nossos corpos fortificados pela comprovação de ter a honra de participar de uma construção do Mundo Racional na Terra e principalmente de continuar obedecendo ao grande Mestre sem pestanejar.
Salve todos!