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quarta-feira, 5 de março de 2014

O RACIOCÍNIO UNE E O PENSAMENTO DIVIDE!

(Mestre POP – Mestre em Capoeira)
O que me impulsiona a escrever periodicamente artigos sobre a Cultura Racional é a convicção de estar fazendo um bem sem olhar a quem, mesmo sujeito a críticas daqueles que por circunstância de suas opiniões e também convicções, possam discordar sobre o conteúdo das mensagens que semanalmente publico em minhas redes sociais. Faço isso de forma voluntária, como um dever cívico e humano. Meu objetivo é a divulgação da Fase Racional e deste maravilhoso conhecimento copilado na obra Universo em Desencanto. No mundo do pensamento não existe unanimidade. A discórdia e a dissonância entre os pensadores é uma regra e por isso não vejo problema algum se por ventura, pessoas criticarem ou discordarem do conteúdo destes artigos, afinal o mundo é assim mesmo, cada qual com seu cada qual e ninguém pensa igual! Por esta razão as possibilidades de entendimento ou mesmo de união ou de paz no atual estágio de desenvolvimento humano é algo improvável. Os embates e os conflitos de ideias sobre tudo faz parte do cenário dos livres pensadores.
O pensamento a que me refiro, é a forma com que nós, seres humanos, defendemos as nossas ideias, nossas opiniões, nossas crenças e expomos nossos sentimentos. Isso nos faz ser iguais, ao mesmo tempo em que nos torna diferentes, na maneira de olhar, interpretar e entender a realidade. Por isso, não está no contencioso do pensamento, seja este filosófico, teórico, científico ou religioso, o entendimento profundo e sem dicotomias entre os seres humanos. Ao contrário, no cerne do pensamento está exatamente a discórdia. Se assim não fosse, só existiria uma única verdade para todos. No entanto, vivemos em um mundo repleto de supostas verdades. Não é por acaso que no mundo existe toda forma de se conceber a existência, através dos materialistas, ateístas, existencialistas, essencialistas, divinistas e outros tantos. Este conjunto representa as várias correntes do pensamento humano. Por isso um dos primeiros ensinamentos da Cultura Racional é que no pensamento não existe possibilidade da humanidade acertar, seja politicamente falando, religiosamente falando ou mesmo cientificamente falando. A Cultura Racional nos ensina que pensar é renegar o direito de raciocinar. “Por isso o pensamento divide e o raciocínio une!”
Tenho falado sobre este assunto insistentemente quando abordo as questões dos paradoxos religiosos e conflitos entre as instituições políticas. Vivemos em um mundo estruturado por ideologias, regras, dogmas imutáveis e estruturas representadas por pessoas, lideranças e instituições que alimentam uma realidade perversa que é histórica. Como vamos superar as condições atuais de organização humana se de alguma forma a maior parte das pessoas estão ligadas ou pertencem a alguma instituição ou organização, representada por membros e partidários que defendem a ferro e fogo e a unhas e dentes os seus princípios? De um lado estão os capitalistas, de outro os socialistas; de um lado os muçulmanos, de outro os católicos; em um canto os espíritas, em outro os evangélicos; de um lado os materialistas e de outro os espiritualistas. Desta forma, enquanto o pensamento for o veículo que nos conduz, nunca haverá possibilidade de se mudar o rumo da história e atingir a tão almejada paz universal.
Desta forma a humanidade vai continuar mergulhada nos conflitos, sejam políticos, bélicos, religiosos ou pessoais. Nós seres humanos somos, apesar de toda uma evolução tecnológica, muito atrasados do ponto de vista humano. Somos ainda uma raça que extermina de forma gratuita a nossa própria raça. As guerras em todos os campos são uma prova viva deste atraso, motivados pela força do pensamento. É tão imperceptível para o livre pensador esta realidade, que não percebem que os conflitos se dão em todos os campos da nossa existência. Entre por exemplo, torcidas de futebol, entre membros de partidos políticos e agremiações religiosas, por motivos fúteis matam uns aos outros, por racismo, homofobia, preconceito de classe social, ciúmes, inveja, ganância, traição, mata-se por negócios inúmeros outros motivos.
A humanidade vive um estado de insegurança e luta permanente. E por quê? Por causa da forma do ser humano pensar e agir, que é ora previsível, ora imprevisível. Por isso o pensamento é o verdugo do ser; na mesma proporção que ele nos liberta também nos aprisiona. Somos algozes de nós mesmos e de nossos semelhantes. Sendo assim, os seres humanos de um modo geral estão permanentemente em contradição consigo mesmo e com os demais.
Somos verdadeiras máquinas de ação e reprodução das mesmas coisas, movidos pelas necessidades, pela curiosidade, pelos gostos, vontades e prazeres. Neste contexto está a prepotência, a arrogância, a falsidade, a caridade, o amor, o ódio, a compaixão, a indiferença, enfim. Somos tudo aquilo que pensamos ser e também somos o que pensamos não ser. Neste exato momento em você está lendo esta mensagem, você está pensando. Está refletindo, analisando, avaliando. Pode estar concordando ou não. De onde vem este pensamento? Pensando você me dirá, de mim mesmo. Outro dirá que é de fora para dentro. O que importa aqui é que somos seres pensantes. Às vezes sem querer pensar sobre isso ou sobre aquilo, o pensamento nos chega, passando muitas vezes rapidamente por nossas mentes, pensamentos bons ou ruins. Esta é a condição humana.
Não por acaso a luta para superação dos problemas, tanto pessoais como de estrutura política, econômica e social é permanente. O mundo é um turbilhão de problemas que desafia qualquer mente humana a apontar solução! Os conflitos são universais e permanentes, como as guerras, os desastres, as doenças, a fome, a violência, os crimes e as barbáries que um ser humano comete contra outro ser humano. Estatísticas nos mostram que se por um lado resolve-se alguma coisa por outro os problemas só aumentam. A dimensão do que se resolve acerca dos conflitos existentes, é na mesma proporção em que se constituem novos conflitos, e assim nunca se resolvem as questões pertinentes à realidade humana.
É importante salientar, que a nossa visão racional para a solução dos conflitos humanitários, não é uma visão racional cartesiana como muitos pensam e afirmam! O método cartesiano põe em dúvida tanto o mundo das coisas sensíveis quanto o das inteligíveis, ou seja, deve-se duvidar de tudo.
A Cultura Racional é transcendente, do ponto de vista do pensamento, pois ela revela a fonte do pensamento, não sendo portando ela uma forma de se pensar e nem de crer. Por isso para entendê-la é necessário o desenvolvimento do raciocínio pleno. Raciocinar aqui é suprimir o pensamento, ou seja, desencantarem-se dos gostos, desejos e vontades, e inclusive também daquilo que julgamos ser certo ou necessário. Raciocinar é desconstruir o pensamento lógico que tudo divide que tudo fragmenta. Raciocinar é compreender a unidade humana na sua dimensão sem, porém se constituir em outra parte que se fragmenta. Por isso, no raciocínio puro, pleno, está a unidade, ou seja, a verdadeira humanidade - uma unidade. O divisor que nos distancia e que nos faz diferentes não é a natureza biológica, porque nesta temos relativamente às mesmas necessidades e condições, ou seja, quem aqui nasce aqui morre, o que nos torna absolutamente diferentes é a forma de se pensar e de sentir e conceber a existência.
A Cultura Racional nos ensina que a diversidade de pensamentos, de onde emergem as adversidades humanas, foi precisa e necessária existir para o processo de nossa maturação e evolução. Nossa verdadeira evolução não é tecnológica e nem tampouco científica ou espiritualista, mas a evolução humanista que nos permitirá superar inclusive nossa própria natureza. E quando atingirmos este estágio, olharemos para trás e veremos o quanto éramos atrasados do ponto de vista humanitário. Este processo para o reconhecimento do nosso estágio evolutivo, só poderá ocorrer através do desenvolvimento pleno do Raciocínio.
A Cultura Racional é um conhecimento “natural da natureza”. Não é um conhecimento extraído do pensamento, seja este científico ou filosófico. A Cultura Racional não é uma teoria ou um conceito ideológico ou religioso a respeito da nossa natureza ou do universo. Por isso para compreendê-la tem que se debruçar nos estudos da obra Universo em Desencanto, cujo título significa dizer: despertar, acordar, desmagnetizar, se libertar dos grilhões dos sentimentos e pensamentos que nos tornam dependentes como nossas crenças e dogmas.
Em geral tanto os estudiosos como o senso comum tendem a comparar, enquadrar, avaliar e analisar tudo que se apresenta de novo no campo do conhecimento segundo suas teorias e crenças. A Cultura Racional não se enquadra em nenhum campo de conhecimento humano por isso a mesma é inédita e única sem comparativo algum. Cabe aos pesquisadores estudá-la e certamente não será apenas lendo um livro, pois a Cultura Racional é uma obra composta de 1009 livros divididos em três cursos básicos: primário, secundário e superior. Mesmo após a conclusão dos estudos nos mil livros é necessário um tempo para o processamento do conhecimento em si mesmo.
Estude Cultura Racional através da obra Universo em Desencanto.

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