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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O GRANDE DESAFIO

(Mestre POP – Mestre em Capoeira)
O grande desafio da humanidade para compor uma unidade humana capaz de superar as mazelas e conflitos humanitários tanto no campo da política, das religiões e da ciência é a dualidade! Enquanto se levantar uma bandeira que represente a direita ou a esquerda, o caminho certo ou o errado, a batalha humana irá permanecer.
Em minha opinião os paradoxos humanos no campo da política partidária, por exemplo, se dão pelo princípio de que quem pertence ao campo da direita, tem que necessariamente defender a direita com seus princípios e valores, e os que estão no campo da esquerda do mesmo modo. Estes argumentos se estendem também para compreendermos não só os fenômenos político-partidários, que são constituídos e estruturados a partir de conceitos ideológicos, conceitos estes que impulsionam a marcha pela superação do outro, como também acontece no campo das religiões, seitas e doutrinas.
Neste momento estamos vendo isso acontecer, pelas manifestações que vêm ocorrendo em todo Brasil. A direita buscando avanços estratégicos para desmoralizar politicamente aqueles que se colocam como esquerda e que detém o poder central, como também levantam suas bandeiras partidárias aqueles que se afirmam ser os verdadeiros representantes da esquerda. Portanto, existe um campo de força e de batalha complexo que vai dos anarquistas, aos fascistas, nazistas, reformistas, neoliberais, liberais, esquerda radical, esquerda conservadora, a turma do PCC e por aí adiante. E diante disto quem puder mais irá chorar menos. A possibilidade da conspiração de um golpe existe! Sendo assim quem está no poder não quer deixá-lo e quem o deixou quer voltar e aqueles que nunca tiveram fazem de tudo para poder entrar! Neste cenário é que passam a existir os discursos, as análises e críticas sobre a conjuntura deste ou daquele governo.
Este mar de idéias sobre tudo e sobre todos é que faz do mundo este enorme quebra cabeça! O pensamento, através das múltiplas ideologias, é que nos divide, e que nos fragmenta em castas, em grupos, em tribos, em maiorias ou minorias que lutam em campos diversos e muitas vezes em condições desiguais, batalhas estas por liberdade, por visibilidade, por afirmação etc. O mundo é concretamente uma real torre de babel. Os da direita, convictos puxam para a direita e os da esquerda, convictos da mesma forma, puxam para a esquerda. Este comportamento de pessoas ligadas tanto aos partidos políticos como também às organizações religiosas é que inviabilizam o diálogo e o entendimento para equacionar os problemas existentes no mundo, sejam estes de ordem social, política, econômica etc.
O mundo além das divisões geopolíticas, econômicas e culturais também é dividido pelas ações do ser humano por sua individualidade. Em qualquer sociedade, em qualquer grupo social, seja este de uma família rica ou pobre, os conflitos e desentendimentos ali vão existir e são estes que nos desafiam e por onde perpassam todas as idéias que se têm de qualquer realidade. Os problemas humanos (sejam de ordem psicossocial, econômica, étnica ou política) superam as condições intelectuais do homem e os tornam impotentes diante de tantos problemas humanos a serem resolvidos.
A Cultura Racional na qual me fundamento nos esclarece que a origem dos conflitos humanos encontra-se no desconhecimento das leis universais e no desconhecimento da origem do pensamento e da imaginação por parte dos seres humanos. Por desconhecerem o que é o pensamento e a imaginação vivem todos neste grande dilema. Explica-nos a Cultura Racional que todos pensam e sabem que pensam nisto ou naquilo, porém desconhecem a origem que deu causa ao pensador, ou seja, aos seres humanos. O filósofo Frances René Descartes escreveu que pensar asseguraria à mente o fato da própria existência psicológica. Em outras palavras, quando ela se dá conta de que está pensando, pode ter certeza que existe. Daí a célebre frase “penso, logo existo.” Porém o pensamento não nos esclarece a origem e a razão de ser um pensador.
Dos notáveis mestres do saber teológico temos a explicação de que nossa origem tem desígnios divinos, porém, não nos explicam a razão de existirmos na condição de livres pensadores – ou “presos pensadores”. E como pensadores que somos não há como estabelecer um único pensamento como correto, certo ou verdadeiro. O que nos explica a existência de tantas teorias e hipóteses sobre tudo? Ou seja, não existe consenso entre os seres humanos que são livres para pensar e imaginar, muito pelo contrário, existe a contradição. Isso dá ao homem condições de induzir e persuadir outros pensadores e é o que acontece no campo das idéias e dos conceitos.
A grande encruzilhada humana é o desconhecimento de tudo e o engodo que induz aos homens se posicionarem como grandes conhecedores deste universo. É a própria ciência, como também a filosofia e a religião. Tanto em um campo como no outro, existem os indivíduos que se tornam eminentes, notáveis conhecedores deste ou daquele assunto. Os múltiplos saberes – ou hipóteses - se constituem em um grande divisor. E são estes pensadores que paradoxalmente tentam explicar e equacionar as questões deste universo.
A necessidade de equacionar os conflitos e problemas humanitários levou os homens a criarem mecanismos institucionais como as Nações Unidas para que pudessem interferir e resolver os conflitos gerados pelos desentendimentos entre os povos e as nações. No entanto o que se observa é que estes organismos não são capazes de evitar ou resolver objetivamente os conflitos no mundo, pois estes existem nos micro e macro universos, ou seja, dentro de nós mesmos.
Neste sentido, a humanidade precisa superar o próprio conhecimento que está posto, pois, o conjunto de saberes existentes no mundo não está sendo suficiente para equacionar os problemas existentes, dos quais muitos são promovidos pelo próprio conhecimento. A contradição do saber humano é um dilema por um achar que sabe mais do que o outro e como ninguém quer sentir-se menos sabedor, impõe-se como detentor do saber e da consciência. Eis o dilema do saber.
A continuação destas análises e reflexões, encontra-se nos livros Universo em Desencanto de Cultura Racional.

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