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domingo, 10 de junho de 2012

SUSTENTABILIDADE – O MEIO AMBIENTE QUE QUEREMOS

(Porfirio J. Neves) Quando se fala em sustentabilidade, a maioria das pessoas se volta para questões do avanço do progresso material ou progresso dos artifícios, para manter a vida com relativo conforto. Poucos se lembram de considerar que a sustentabilidade da vida na Terra passa primordialmente pelas questões psicossociais e culturais das pessoas. Quando uma pessoa está aborrecida, ou de mal com a vida e com o mundo, vai jogando lixo em qualquer lugar e fica sem educação - aí vive chutando o balde, literalmente. Portanto, se vai se falar em sustentabilidade ou coisas assim, que exigem das pessoas uma boa dose de disciplina e educação, deve-se considerar o estado de alegria e satisfação de todos. As questões psicossociais, na verdade, são determinantes para alcançarmos essa tal de sustentabilidade. Principalmente as questões de natureza cultural – estas, em primeira e em última análise, é que determinam como vamos proceder com relação ao meio ambiente. Quando falo de questões culturais e educação não estou me referindo à educação escolar e sim ao modo de encarar a vida. Quem tem cultura sabe encarar a vida como deve ser, porque tem cultura. Quem tem muita educação formal, assim como um engenheiro, um advogado, um médico, enfim, qualquer pessoa que passou por uma universidade, não significa dizer que tem cultura. Por vezes, pessoas deste nível nem sequer sabem o que existe e como funciona além do quarteirão em que trabalham. Pessoa que tem cultura é uma pessoa que sabe encarar a vida como deve ser encarada, com seus avanços e com sua evolução, respeitando o próximo e buscando compreender sempre mais e mais. Isto é ter cultura. Se as autoridades soubessem estimular isto na população, certamente gastariam muito menos na manutenção da ordem e da segurança, tornando assim sustentável o progresso do conforto relativo às necessidades de cada um. Lamentavelmente, tentam estimular isso usando recursos que não têm sustentabilidade, como por exemplo, esporte e lazer para grandes massas. Isso, apenas parece dar ao povo um grau de felicidade e satisfação. Percebam que para promover e realizar eventos de grandes massas gasta-se muitos recursos e são gerados excessos no meio ambiente além do suportável, em razão das grandes massas em movimento. Dentro de um contexto cultural sadio, as necessidades vão sendo adequadas ao que é possível e ao que é sustentável. Como se vê por aí, a grande maioria da propaganda que vai pela mídia, acaba por estimular abusos e ações desordenadas em razão de sempre realçar coisas inalcançáveis para a maioria das pessoas. É que nem uma loteria, estimula-se o povo a comprar o bilhete, sabendo que poucos alcançarão a sorte de ganhar o prêmio. Esse é um bom exemplo de coisa insustentável. Os que mantém estas loterias são os mesmos que combatem o jogo do bicho como se fosse acabar com algo imoral ou ilegal. Outro mau exemplo da mídia está naquelas propagandas que estimulam as pessoas a ultrapassarem seus próprios limites, como se isso fosse um grande avanço. Pode até ser um grande avanço para alguns, mas isso acontece, via de regra, em detrimento de muitos outros. Portanto, insustentável! Percebam que o mundo pode ser modificado para melhor, tão somente pelos hábitos culturais do povo sem muitos planejamentos e sem construção de grandes obras ou realização de mega eventos. Quando se fala em meio ambiente, de modo equivocado e semelhante ao que se fala de sustentabilidade, as pessoas deixam de considerar o ambiente psicossocial mais uma vez e se voltam apenas para o aspecto físico do meio ambiente. Uma pessoa que vive insatisfeita, porque não tem uma perspectiva de vida razoável, jamais poderá ser educada na boa gestão do meio ambiente. Que é que adianta querer educar uma criança a cuidar do lixo ao redor de sua casa se esta criança não tem nenhuma perspectiva saudável de vida? Que é que adianta querer educar o povo com boas ações e zelo pelo meio ambiente se não se oferece a este povo bons exemplos de conduta moral e dignidade dos próprios fomentadores desta educação? Um mau exemplo disso é a utilização de um meio de comunicação que propaga campanhas em favor do meio ambiente e ao mesmo tempo esse meio de comunicação é alvo de notícias ou de ações desagregadoras do ponto de vista de conduta ética. É a mesma coisa que um professor de educação cívica que se comporta na vida sem nenhum civismo. Ora, ninguém vê a correspondência entre a propaganda das campanhas e a realidade dos fatos. Isso acaba por contribuir em grande escala para o grau de insatisfação de uma população. E ainda querem educar o povo quase que por decreto, por cotas ou coisas do gênero. O meio ambiente que todos querem passa, certamente, por um meio ambiente de paz, saúde e justiça social, muito antes mesmo de se limparem as valas negras que rasgam nossas cidades, muito antes de nos fazerem crer que somos culpados do aquecimento global. É o caso de relembrar o discurso manifesto de uma criança canadense de 13 anos na conferência mundial da ONU em 1992, a ECO 92 realizado no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, Sevem Suzuki, em discurso perante vários representantes mundiais, exigia uma mudança de comportamento das autoridades de modo a garantir um meio ambiente favorável para as novas gerações. Retratou o quadro mundial das crianças com fome e dos animais sendo mortos em desastres ambientais e fez lembrar aos governantes que evitar isso é muito mais importante do que evitar a perda de pontos na Bolsa de Valores. Dizia ela, na ECO 92: -“Sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas, quero que saibam que vocês também não têm”. E ainda acrescentou: -“Sou apenas uma criança mas, sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas e ao todo somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade. Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fossemos um único mundo rumo a um único objetivo”. E na conclusão do seu discurso, Sevem Suzuki lançou o seu desafio: -“Vocês adultos nos dizem que vocês nos amam. Eu desafio vocês. Por favor, façam as suas ações refletirem as suas palavras”. Façam as suas ações refletirem as suas palavras. Bem, numa rápida análise deste discurso de uma criança na ECO 92, contabilizava-se naquela época 5 bilhões de habitantes da espécie humana no mundo e hoje já ultrapassamos 7 bilhões, quando estamos realizando nova conferência sobre o mesmo assunto, a RIO + 20. Que coisa interessante a se notar. Dois bilhões a mais em vinte anos. Se naquela época os problemas ambientais eram graves com 5 bilhões, o que será que está acontecendo com 7 bilhões? Será que isso é sustentável? Por quanto tempo, se continuarmos com esta expansão demográfica poderemos contar com os recursos naturais adequados, a começar pela água tratada por meios artificiais. Digo artificiais porque certamente nunca vai faltar água já que o mundo é um aquário. A questão é a água potável nos grandes centros urbanos. Certamente muitas coisas já foram feitas para minimizar problemas do meio ambiente de lá para cá, apesar de faltar muitas ações reparadoras. O que pouco se fez, pelo que se percebe, foi exatamente na questão cultural da vida, que é como o ser humano precisa encarar a vida e o mundo em que vivemos. Pelo jeito, isso mudou muito pouco, porque a maioria continua achando que algum super-herói venha nos salvar e a maioria nem sequer procurou saber a origem de todos estes problemas. Ao contrário, estão apenas buscando um meio de penalizar os infratores que não adotam meios sustentáveis de progredir. Outro aspecto sobre o discurso da Sevem Suzuki na ECO 92 foi o desafio que ela lançou para os adultos. Hoje, por ocasião da Rio + 20, será que ela vai estar presente e haverá outra criança com um discurso ainda mais grave? Assim, agora ela é quem será desafiada na qualidade de adulta. Todos estes aspectos de preservação do meio ambiente, que muitos tem realçado por aí e vão continuar realçando na Rio + 20, precisam e devem estar sempre em pauta na mídia e nas escolas e em todo lugar, mas não podemos esquecer de que as coisas mudam. Tudo se transforma. Portanto, devemos agregar a todas estas ações e discussões um fator cultural primordial, que é exatamente o que a Cultura Racional nos faz cientes e conscientes sobre a vida e sobre o mundo em que vivemos. Quando toda a humanidade se fizer ciente e consciente de quem somos, de onde viemos e para onde vamos, como viemos e como vamos, que é o justo fator cultural a que me refiro que está faltando, certamente nossa visão sobre tudo isso será muito mais precisa e nossas ações se tornarão completas na preservação do meio ambiente que queremos. Quem conhece a Cultura Racional e estuda com atenção torna-se um cidadão consciente de seus deveres, porque passa a compreender porque nasceu neste mundo e passa a saber que vai acontecer em sua vida, pelo simples fato de passar a se conhecer. Quem se conhece sabe se equilibrar na vida e vive com aquilo que lhe é necessário apenas, sem diminuir o seu grau de alegria e de satisfação com a vida. Quem passa a se conhecer vai deixando suas ansiedades e falsas perspectivas de lado e passa a realizar em sua vida o que é consciente, conforme o seu avanço de compreensão cultural. Esta é a verdadeira condição da existência do ser humano neste mundo: precisa se conhecer e saber quem somos e de onde viemos e para onde vamos. E quem não passar a se conhecer vai padecer neste crescente emaranhado de confusões artificiais criadas para lapidar todos. Eis o maior patrimônio pelo qual todos devem lutar, muito antes mesmo de defender o meio ambiente: é o se conhecer. Se conhecer e conhecer o mundo em que vivemos, para compreender nossa real situação e quais devem ser as verdadeiras ações para um viver igualitário, confortável e feliz. Acorda povo, que já dormiram mais de 20 anos, depois da ECO 92. Em verdade já temos 77 anos de Cultura Racional aqui na Terra e muitos ainda não mudaram de pensar e continuam dormindo. Esqueçam o pensamento e tudo que lhe pertencia, que a fase do pensamento terminou, a fase agora é de raciocinar e de adotar as soluções práticas da vida do Terceiro Milênio, lendo o livro Universo em Desencanto - todos se ligando ao nosso verdadeiro Pai Eterno, o Mundo Racional.

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