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sábado, 28 de janeiro de 2012

A MÁSCARA E O CORAÇÃO


(João de Castro)
No mundo do artifício, a persona (máscara) é usada para representar o papel social e ocultar a pessoa.
A persona é inventada, obedece e/ou responde apenas à classe que a representa.
No teatro grego a persona, além de representar um personagem fictício, era também usada para preservar o ator ou atriz separando-o da pessoa.
Muitos corriam o risco até de serem agredidos, caso fossem confundidos com algum personagem vilão, que haviam representado (lembram da Odete Roitman de Vale tudo).
Com efeito, a persona passou a exercer exacerbada conotação nesta construção artificial e inventada que é a sociedade humana dos dias de hoje, onde as pessoas se escondem por detrás das aparências para ocultar personalidades vis e inescrupulosas.
Hoje em dia, através da “persona” as pessoas dividem-se em dois mundos diferentes: o mundo real e o ilusório. E, às vezes, se confundem ao ponto de não saberem exatamente em qual deles estam realmente vivendo.
O resultado é relações pessoais doentias, matrimônios dilacerados, políticos desonestos, etc.
Se o “ego” representou a separação entre o homem e sua dimensão humana, tornando- o um ser incauto e insensível, a persona (sua máscara) o plastificou, deixando-o inerte como uma escultura apreciada no museu das aparências.
Por detrás desta plastificação humana, estão os veículos de controle que determinarão a alienação total do homem.
Hoje acreditamos erroneamente que seremos respeitados e amados se atingirmos os padrões estéticos definidos por esta gestão artificial.
No entanto, o medo e a hipocrisia se instalou entre todos de uma tal forma, que o desespero e a desconfiança se instalaram entre todos.
A guerra começa no próprio íntimo toda vez que vestimos a persona para enfrentar o mundo lá fora, o problema é que às vezes esquecemos de tirá-la mesmo quando vamos dormir.
Não quero em hipótese alguma sugerir a exoneração total da persona. Tudo deve obedecer às regras naturais, pois uma ação radical sempre provoca uma reação do mesmo porte.
Acredito que a verdadeira mudança deve acontecer no íntimo de cada individuo – não se trata de uma obrigação com os outros mas com o seu coração. Sim, o coração! Este que vem sendo o mais torturado pela gestão artificial.
Ele parece dizer,” Por favor não me plastifiquem, senão pararei de bater!” Um coração natural ainda é melhor que um coração artificial.
Não pergunte ao livro das leis, pergunte antes ao coração se é certo ou não prejudicar o próximo por razões pessoais, e ele lhe dará a resposta.
Não tenha medo, pois por mais duro que pareça o coração ele sempre amolecerá , quando ver um ato de injustiça ou truculência.
Se há dúvidas sobre isso- não é culpa de nenhum de nós – foi o entrudo de concepções antinaturais que moldaram e deturparam nossa visão de mundo, das coisas e de nós mesmos.
Há um alento! O ano de 2012 será um ano em que se promulgará a regência do coração. Veremos um ao outro através dele, e ele não mente.
Não há tecnologia que possa revelar o que é o coração – se ele está bem ou doente (para aqueles que só pensam em destruir o próximo) – e por isso, ela jamais pode transmitir as verdadeiras intenções disfarçadas por detrás da persona.
Antes, porém, se estivesse com seus deveres em dia com os padrões artificiais, isto por si só era suficiente para satisfazer o conhecimento de cada um. Mas, era um conhecimento aparente, camuflado pela beleza material e o artificialismo.
Um coração obscurecido por conceitos superficiais e inidôneos necessita urgentemente ser revitalizado por energias positivas, através de um conhecimento natural que lhe enriqueça humanamente.
A voz divina é a voz do coração!
Portanto, a voz do coração é a voz do raciocínio. Deus é raciocínio e, não pensamento.
Um RACIOCÍNIO SUPERIOR a todos os raciocínios. E uma ENERGIA SUPERIOR a todas as energias.

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