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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A NATUREZA, AGORA É RACIONAL! UM ALERTA AOS EDUCADORES 1ª PARTE

(Porfirio J. Neves)
Numa noite dessas em que o sono mais parecia um teatro, desfilavam em minha mente passagens da minha infância, mais precisamente do colégio em que eu estudava no curso ginasial; isso na década de 60.
A década de 60, para cientificar os mais novos, foi uma década em que as mudanças na sociedade se fizeram notar de uma forma explosiva, literalmente, explosiva.
Permitam-me um relato breve para ilustrar sobre o que eu sentia naquela época e como hoje posso ver e justificar esta grande mudança de fase na Natureza. Se comparado aos dias de hoje, os mais jovens nem podem acreditar no que nós, crianças naquela ocasião, fazíamos, pode até parecer uma grande irresponsabilidade o que vou aqui relatar.
Eu, por exemplo, estudei o curso primário em escola pública, mas consegui passar no exame de admissão para um colégio particular onde realizei meu curso ginasial e científico. Minha família, éramos imigrantes lusitanos e sofríamos muito para sobreviver sob o ponto de vista financeiro e adequação a uma nova sociedade.
Como que então fui parar num colégio particular, e lá estudei até entrar para a Universidade Pública? Foi pela indicação de professores e amigos em razão da qualidade do ensino desse colégio que ficava perto da minha casa, e do que viam no meu potencial para aprender. De fato eu aprendia rápido e era um estudante diferenciado. No popular, entenda-se, um bom “CDF”.
Mas, onde quero chegar? É que para me manter estudando em uma escola particular tinha que ser na base de bolsa de estudos. E, quando a bolsa deixou de ser integral, eu já era bem conhecido na escola e o diretor me arranjou um trabalho no colégio como forma de pagamento dos meus estudos. Estudava pela manhã e trabalhava à tarde no próprio colégio.
Dentro deste quadro educacional da minha formação, se me fiz entender, é preciso realçar algumas passagens que me ocuparam a mente durante uma noite dessas.
Vejam bem, aluno e servidor, no mesmo colégio. Na verdade, dentro e fora do colégio eu fazia de tudo que me permitiam, até rodar provas de outras classes eu fazia, porque eu me metia em tudo que deixavam. O laboratório de química serviu de inspiração para eu seguir a carreira profissional. Estraguei muito reagente naquele laboratório, agora posso confessar.
No serviço externo, usava uma bicicleta para levar correspondências do colégio em casas de alunos e, principalmente, para o transporte de valores e documentos dos bancos e escritórios. Isso mesmo transporte de valores: dinheiro e documentos. E não era pouco!
Espero que as pessoas estejam sentindo, através deste relato pessoal, como as coisas se modificaram nesses últimos anos.
Nada se repete! Embora certas situações não tenham mudado muito para alguns jovens que, hoje, tentam sobreviver, trabalhando para pagar seus estudos.
Esse aspecto social de 40 anos passados já dá uma ótima medida do quanto as coisas se modificaram. Mas tem um aspecto psicológico muito interessante e que foi a causa que me inspirou a titular este assunto como forma de divulgar a Cultura Racional que é a Cultura desta nova fase da Natureza.
Nesse colégio particular em que fiz o ginásio e científico, ao todo sete anos, veio à minha lembrança a figura de uma senhora francesa que cuidava das cadernetas dos alunos, lançando manualmente a nota em cada uma. Ela gostava muito de mim e me incentivava a permanecer bom aluno e fazia de mim um exemplo para outros alunos e pais de alunos.
Tinha outras agentes de secretaria e que eu me dava muito bem com todos e todas. E lembro bem que as agentes de secretaria, por dever de ofício de lançar as notas nas cadernetas dos alunos, passavam a conhecer melhor os estudantes e até faziam uma ponte de informação e orientação pedagógica para os pais.
Mas a figura daquelas profissionais que trabalhavam na secretaria do colégio eu não consigo esquecer. Esqueci a maioria dos nomes, mas não esqueci o carinho que transmitiam para cada criança e da contribuição que davam para a formação psicológica de cada um.
De um modo geral, todos os servidores do colégio, além dos professores, inspetores e até os faxineiros, estavam engajados no processo educacional, em que todos vivenciavam como uma família. Era de fato uma família e todos serviam de referência e amparo para todos.
Triste fim! Não se vê mais dessas coisas por aí! O que temos hoje é um grande sistema de informações armazenando dados nesses “bytes frios” dos computadores e muitos estudantes agredindo professores na sala de aula e por aí vai.
O computador não alimenta a sensibilidade psicológica para que a criança sinta que tem alguém se ocupando em lhe informar e lhe amparar – educação artificial. A necessidade de se obter a informação com mais agilidade criou este artifício que acaba esquecendo as pessoas.
(Continua na próxima postagem)

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