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sábado, 11 de fevereiro de 2012

O DESERTO DA REALIDADE



(João de Castro)


O deserto da realidade nos cerca por todos os lados. Ele está por detrás das imagens das cidades construídas e dos sons dos ruídos que elas produzem.

Mas, o que aconteceria se não houvesse mais a eletricidade para manter nosso meio de vida? Provavelmente se iniciaria um processo de regressão civilizatória. As cidades se tornariam escombros sem suas luzes e seus ruídos. Não sei quanto tempo levaria o processo de regressão. Isso é para termos uma idéia de como somos dependentes da luz artificial.

Contudo, se realmente tivessem que viver sem ela, os humanos buscariam adaptar-se e recriariam um novo mundo.

A energia elétrica é também gerada no corpo humano através do consumo natural de alimentos; com essa energia mantemos nossos órgãos em funcionamento. E o cérebro, o órgão que serve como meio de acessarmos o mundo exterior, é também mantido pela energia elétrica.

A energia elétrica produz o movimento, enquanto que a magnética produz a forma.

Na Cultura Racional isto é verbalizado da seguinte forma: ”Foi a energia magnética que deu a forma que possuem e, por isso, são seres magnéticos.” Com efeito, é necessária a forma para receber o conteúdo.

Ainda na Cultura Racional, há a revelação deste mistério nos seguintes dizeres: “A energia elétrica vem da água e a magnética da terra. A água tem sua força no movimento, já a terra é parada, pois ela cuida da geração da vida”.

Para os hindus o universo foi formado através de dois momentos. Em um deles houve a necessidade da criação do espaço por onde se projetaria a existência. E em outro, a criação do conteúdo. Na psicanálise estes dois aspectos são conhecidos como Heros e Anima. E não só na psicanálise, mas, praticamente, em todas as ciências veremos esta mesma dicotomia.

Até hoje, perdura a dúvida sobre o que existiu primeiro. Entretanto, é na Cultura Racional que compreenderemos que ambos aconteceram simultaneamente como resultado de um único processo, ou seja, da ação do foco de luz sobre a planície de massa cósmica, na qual uma parte transformou-se em terra e a outra em água. Contudo, foi na junção destes dois seres que houve a produção da vida.

Portanto, não há primazia de uma energia sobre a outra, mas, o equilíbrio. E isso foi outorgado pela natureza no próprio ato da criação, pois, o homem, inconsciente de como o mundo foi feito, ainda busca descobrir qual aspecto surgiu primeiro, quando não, intentam impor um sobre outro, por se nominarem partidários de um conceito apenas.

Esta “unilateralidade” das mentes humanas em não conhecer o valor e a função do outro é a causa das contendas entre os seres. Não pode haver primazia de um sobre o outro, deve, sim, haver o equilíbrio entre eles.

Esta aí um outro mistério desvendado pela Cultura Racional no seguinte trecho: ”Ambas as energias são frutos desta deformação Racional. Tem que haver o equilíbrio entre elas, pois o bem em excesso é tão prejudicial quanto o mal em excesso. São os excessos que provocam o mal no mundo.” O excesso contém as formulas da inconseqüência, dos vícios, das revoltas, das injustiças, da avareza, da intranqüilidade, da cegueira intelectual, do fundamentalismo político, da obsessão religiosa, dos desequilíbrios emocionais e por aí afora.

Os antigos já tinham uma noção mais apropriada destas realidades, pois, já reconheciam no Ying e Yang as duas bases existenciais desta realidade. Muito sabiamente os classificaram como as molas mestras da realidade, onde um não pode viver sem o outro. Também afirmaram que o Ying e o Yang também determinavam os aspectos fundamentais que distinguiam o Feminino do Masculino, ou seja, ação e reação, quente e frio, terra e água, bem e mal, contenção e excesso etc.

No próprio estudo das funções do cérebro humano se vê presente esta dicotomia. O lado direito do cérebro representa o lado da imaginação, emoção, criatividade, enquanto que o esquerdo representa o lado do pensamento, da razão, mecanicismo, relações hierárquicas e outros.

Enfim, tanto a realidade interna como a externa são marcadas pela polaridade.

Na Cultura Racional somos informados: ”Duas energias inconscientes e que andam juntas (lado a lado), pois, onde está uma está a outra, o bem lapidando o mal e o mal lapidando o bem.”

O pensamento e a imaginação mantêm e abastecem esse progresso em que vivemos. São a grande válvula motriz de nossa realidade. E pouco ou quase nada se sabe sobre eles.

Na Cultura Racional virá a revelação deste grande mistério na identificação de ambos como as personalidades do elétrico e magnético, regentes de todos os seres.

Parece algo muito fantasioso o termo, personalidades, mas, não é, veja por quê. Jung descobriu que assim como os genes nos transmitem heranças genéticas, a mente humana também era uma herança transmitida de algo que passou a chamar o Inconsciente Coletivo. As questões Junguianas são as seguintes: como ele interage conosco? É ele um produto de nossas mentes ou nossas mentes são produtos do mesmo?

Jung percebeu que tais registros vinham sempre em formas de sonhos ou visões. E pessoas de culturas totalmente opostas tinham sonhos ou visões com imagens iguais. Os símbolos eram os mesmos. Não importava se você pertencesse a uma sociedade vitoriana (Inglaterra do séc. 19) ou fosse um indígena numa tribo do Xingu. Essas imagens simplesmente viajavam quebrando distâncias de tempo e espaço. Era como se elas habitassem alguma dimensão onde tudo se mesclasse, onde não existisse presente, passado e futuro.

Como não conseguia atingir o cerne de sua teoria, Jung, então, imaginou uma central mental de onde tudo proviesse: nossos pensamentos, nossas inspirações, nossa imaginação. Essa Central (ou fonte) seria contínua como as usinas de energia elétrica que produzem energia o tempo todo, pois, do contrário nossos pensamentos e imaginações parariam.

Podemos afirmar diante disso, que “algo externo” está por detrás de todas as mudanças que regem a mente humana, basta dar uma olhada nas coisas que vêm acontecendo por aí.

E não é tão difícil chegarmos à conclusão de que se trata de alguma mudança. A verdade é que as mudanças não acontecem por si, elas são projeções do pensamento humano. Este como fonte incessante desta realidade que cria seus projetos, organiza-os e os aplica para operar mudanças, parece estar em sua plena fase de transição. O que vemos lá fora são projeções de algo que não funciona mais como a princípio funcionava: “Acabou a fase, mas ficaram os feitos” - Cultura Racional.

A cultura não cria o pensamento, ela é formada pelo pensamento. O pensamento não existe na cabeça do animal Racional, ele é captado pelo cérebro, que o decodifica em linguagem. O pensamento só pode desenvolver-se através da linguagem. E a linguagem é um sistema de símbolos, que foram primariamente desenvolvidos na antiga Suméria. Para possibilitar a organização da linguagem, eles tiveram que criar o alfabeto. Alfabeto este, que se baseava em símbolos, que são formas geométricas produzidas pelo fluxo de magnetismo produzido na natureza.

Na Kabahla há a revelação deste mistério, pois ela nos mostra que as energias em um determinado plano ou nível começam a produzir fatores que se replicarão por todo o espaço para produzir os elementos químicos, materiais ou radioativos conhecidos pelo homem. Alguns já foram até descobertos pela ciência, como é o caso do quartzo, que apresenta a forma de um hexágono.

Veja este trecho extraído da Wikipédia sobre a geometria.

A Geometria trata de formas, das suas propriedades e das suas relações. Olhando à nossa volta, rapidamente tomamos consciência de que na Natureza são produzidas e reproduzidas determinadas formas e que, além disso, a Natureza prefere certas formas em relação a outras também possíveis. Por exemplo:
- O azeite que deitamos no caldo verde forma, na superfície da sopa, círculos e, não, quadrados ou outra forma geométrica.
- As colméias das abelhas obedecem a um padrão (pavimentação) hexagonal.
- O vento produz, na superfície dos oceanos, ondas com uma determinada forma, em vez de ondas quadradas.
- Três bolinhas de sabão, se deixadas livremente, formarão sempre ângulos de 120º.

http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm21/introducao.htm

São justamente as formas geométricas encontradas na Natureza, que uma vez percebidas pela mente humana, levaram o homem a universo de “Portais Magnéticos” que, com o tempo, acabaram evoluindo para outras formas que, dotadas de sons humanos, criaram o alfabeto.

Logo o alfabeto é a raiz da evolução lingüística e, conseqüentemente, do pensamento humano. A linguagem adquire diante desta realidade o status de interface entre nós e esta outra dimensão, onde seres invisíveis aos nossos olhos interagem conosco sem nossa consciência. Por não termos consciência de quem são, acabamos por tornar-nos marionetes de forças invisíveis.

A Cultura Racional foi a única que de uma maneira extremamente simples nos alerta sobre esta realidade, despertando não medo, mas, respeito e humildade. É ela que nos possibilitará a libertação dos grilhões produzidos pelo “Alfabeto Artificial”, que nos enjaulou dentro de uma perspectiva que não nos permite ver a realidade como realmente é.

O deserto da realidade, apesar de parecer real, não o é, pois, imbuídos por esse sistema de símbolos, acabamos por nos perder da rota da pureza, onde a verdadeira fonte divina se encontra. O deserto da realidade está apenas obstruindo uma visão muito mais pura e cristalina, que está bem além de nossa perspectiva animal e encantada.


http://jocastfi.blogspot.com/

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